sábado, 29 de novembro de 2008

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Decidimos suspender temporariamente o nosso blog. As três gerações foram aqui representadas com as obras realizadas até agora. Voltaremos muita possivelmente um dia com novas obras poéticas, literárias ou pictóricas da terceira geração.

É possível que a quarta ou quinta geração se venha juntar ao blog que terá de mudar nome.

Esperamos que o texto de hoje seja um até breve.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Intemporal - Antologia, ou o fechar de uma página da vida


Trinta e cinco anos depois da publicação de “Sem Contorno”, em 1968, nas Edições Excelsior, pela mão do meu pai que acreditou na minha escrita incipiente da poesia, resolvi fechar um ciclo longo e que conheceu uma grande evolução na forma, embora também na temática e, sobretudo, na abordagem poética.

Ao longo dos muitos anos sofri diversas influências formais, fruto da leitura de centenas de livros de dezenas de poetas, sobretudo dos poetas portugueses. Sobretudo daqueles que, na depuração do verso, conseguiram que o uso rigoroso da palavra permitisse dizer, numa síntese perfeita, todo um discurso de muitos versos, em poucos versos cheios de significações, emoções e cosmogonias. De todos, destaco dois que foram meus mestres: Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de Andrade. Nunca fui, porém, ao pé deles, mais do que uma sombra fugidia.

Assim, retomando um título que, de alguma forma, tinha um significado profundo na minha forma de expressão poética – “Intemporal” – publiquei em 2003 uma Antologia muito breve, prefaciada pelo meu amigo poeta Cândido José de Campos - por cuja poesia tenho uma grande admiração e com a qual de tantas formas me identifico - que também seleccionou os poemas, e com capa e desenhos originais do também meu amigo e companheiro de ideais, também dos estéticos, Luís Moreira. Aos poemas dos meus livros publicados e antologiados, juntei mais alguns que, ou não tinham cabido na selecção feita para eles, ou escrevera posteriormente a “Marítimo Caminho”.

Com esta antologia encerrei um capítulo da minha produção escrita. Quando a emoção se desvanece com a idade e com as ilusões que a vida se compraz em desfazer, resta pouco do discurso poético que não seja um espartilho formal para palavras que encerram uma outra realidade que não a poesia. Não concebo – e não cedo a conceitos que a defendem e utilizam – a poesia sem emoções. “Poesia menor” será a que escrevi. Mas foi a minha mais forte forma de expressão.

Dos Inéditos

Nas tuas mãos

Nas tuas mãos deixei uma por uma
as flores da solidão que desfolhaste.


Eternidade

Havia em mim o sol:
em ti a lua.

Assim ficámos cada instante
a vida
até ao eclipse
total dos nossos sonhos.


Mar

Há sempre mar
em cada sonho meu
e sempre um barco
que em meu olhar aporta.
Há sempre sal e espuma
e sempre ausência
e sempre uma chegada
e sempre a inconstância
do mar que vem e vai
em marés de desejo.
Há sempre mar
e sempre uma saudade
nos reflexos do sol
nos refluxos de um beijo.

Alva
A luz desperta;
é a manhã primeira.
Enche-se de cor a terra
informe e nua.
O teu corpo desperta;
luz primeira
que no meu corpo
teu corpo perpetua.


Que o poema se chame sua chave.

Na memória se encerra nela se abre
o tempo do que foi do que há-de vir.
Que o poema se chame sua chave.

"Leitor atento desde há longos anos da obra de João Mattos e Silva,foi um grande prazer e um enorme desafio, traçar estas linhas, fruto de uma empatia intuitiva mais do que de uma análise sistemática, mas que nunca descuraram a tentativa de desvendar com humildade o segredo oculto nas palavras, pois como dizia Santa Teresa de Ávila: - Humildade é a verdade; e isso acima de tudo pretendeu o artífice desta singela conversação escrita: - que o poema se chame sua chave" Cândido José de Campos, do Prefácio

sábado, 19 de abril de 2008

Apesar de o fogo ser o elemento mais forte do meu horoscopo, a água tem sido sempre uma das principais fontes de inspiração para as minhas pinturas. O fogo também tem um enorme peso pois que as cores vermelha e laranja nas suas mais variadas tonalidades aparece em quase todos os meus trabalhos.


A água fonte de vida, meio de purificação, mãe. O fogo, o Sol, o Verão, a cor vermelha que simboliza não só a paixão mas também o espírito, a purificação e a iluminação. A purificação pelo fogo é complementar da purificação pela água. E eu sou uma mistura de fogo e água.

Os búzios saídos do mar, representam a minha natureza feminina, de mulher e de mãe.

Os frutos, ovo, são a fecundidade e o meu desejo de imortalidade.


A vida é uma travessia difícil e os barcos são uma segurança. Ajudam-nos a atravessar a nossa existência levando-nos a bom porto mesmo no meio das tempestades.



As minhas janelas são sempre vistas do interior para o exterior. É a minha procura da verdade dentro de mim mesma e a minha necessidade de viver a vida lá fora, de acordo com o que aquilo em que acredito.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Marítimo Caminho


O mar sempre exerceu em mim um enorme fascínio. Amo-o como o temo. Procuro-o como o rejeito. Mas percorre-me as veias do espírito como uma força vital, um outro sangue salgado
e revolto ou tranquilo no seu marulhar, no fluxo e refluxo das marés, um mar que canta suavemente no seu vai e vem, que grita nas ondas alterosas, que afaga e que castiga.
É uma constante na minha poesia. É a expressão da relação com os outros, é o sonho das distâncias e dos longes, é a manifestação da minha universalidade, é a memória histórica de navegantes e aventureiros, de descobridores, de simples viajantes.
No título de dois dos meus livros, na imagem da capa de um deles, figura como uma presença com direitos que adquiriu no meu imaginário. Sigificando, quando fala de um "Tempo de Mar Ausente", de 1972, a impossibilidade do diálogo que gerou a guerra, ou quando diz que o meu percurso humano é um "Marítimo Caminho", feito de mar chão e mar revolto, de marés que me atiram para o mar alto, solitário e ilimitado ou me fazem morrer na praia, terra firme de sonhos, acções, ilusões e desilusões, ou quando me recolho, exausto, a um porto de abrigo.
"Marítimo Caminho" apareceu dez anos depois de "Memória(s), em 1997, na editora "Tertúlia", colecção "Clube dos Poetas Vivos".


Nauta

Ao mar me fiz. Ao mar do ignorado
desejo de encontrar outras distâncias.
Tracei rotas de sol rumos de espanto
e parti insensato à aventura
as velas enfunadas o vento de feição.

No cais da despedida meu cansaço
ficou aquietado.Me fiz assim ao mar.
O que irá encontrar meu louco coração?


Nostalgia

Vinda do mar no verso da palavra
ao mar voltou no reverso do olhar.


Sereias

Apenas escutarei em suas vozes
as palavras de amor que reconheço.


Cais

Inumeráveis os dias;inenarráveis as horas.
Aquático à luz da arde estremecias
esperando naus das índias que ainda choras.

terça-feira, 15 de abril de 2008

1987, ano de intensa vivência poética


Em 1987, por iniciativa da associação Património XXI, de que era sócio, participei com perto uma centena de poetas de várias gerações e discursos diversos, nos III Encontros de Poesia de Vila Viçosa, entre eles Raul de Carvalho, Luís Veiga Leitão, Orlando Neves, Rebordão Navarro, Adalberto Alves, António Almeida Mattos, Fernando Namora, João Rui de Sousa, Fiame Hasse Pais Brandão, José Blanc de Portugal, José Manuel Capêlo e Wanda Ramos. Da poesia apresentada foi feito um livro, "Água Clara - Poetas em Vila Viçosa" . Dele, um poema;




Porque morre um poeta?

à memória de Ruy Cinatti

Porque morre um poeta? porque parte
a desvendar o sonho o encoberto
se tudo o que um poema silencia
seria revelado ou descoberto?
Porque morre um poeta? Porque morre?


Em 1987 também aparece nos escaparates "Palavras - Sete Poetas Portugueses Contemporâneos", reunindo poemas de António Almeida Mattos, João Mattos e Silva, José Manuel Capêlo, Cândido José de Campos, Fernando Tavares Rodrigues , Nicolau Saião e Rita Olivaes. Desse livro


Pranto de Adriano Imperador

Nunca o silêncio dirá
da dor que cinjo
como o império que sirvo
e a que resisto.
Nem de tão grande amor
irão meus versos
toda a grandeza. E os rios
mares que chorei.

Serás sempre o meu deus
pátria e destino.
Roma é vertigem só;
a vida instante.

Teu sacerdote ó Antinoos
sou: eterno e amante.

sábado, 12 de abril de 2008

Emília Matos e Silva - Retratos

Tenho feito por encomenda diversos retratos, uns a óleo s/tela e outros a pastel.


Professor Veiga Simão -então Ministro da Industria


Maria Emília de Azevedo e Castro Pina Correia



Filhos de Dom Duarte Pio, Duque de Bragança
pinturas feitas para a exposição " Real (idade) de uma convicção".

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Mais um passo no percurso poético - Memória(s)


A par com a publicação de poesia, o final dos anos oitenta foi fértil em acções de escrita. Crítica literária no jornal "Letras e Letras", editado no Porto por Joaquim de Matos, recensão literária no "Semanário", colaboração regular com poesia e prosa na revista literária "Património XXI", dirigida pelo escritor e saudoso amigo Orlando Neves.

1987 é o ano do aparecimento de um novo livro de poemas, "Memória(s), com capa da pintora Emília Matos e Silva e prefácio do escritor Mário Cláudio.



Do Prefácio



"Tem João Mattos e Silva, portanto, em suas mãos, o direito de ser, contra rabiscos vários dos jograis em comandita, poeta verdadeiro e discretamente maior. Confrontado com o seu enigma, na pátria e no texto o ancorou, finalmente decidida, uma vez eliminadas as rasuras e os borrões do discurso que a nós todos pré-existe, a identidade que lhe cabe...

...Solitária, mas insubmissa, se reconhece esta pena, ao termo da jornada empreendida. Nenhuma das frustrações a condenaria, entretanto, à resignação, pois pois que de muito para além do que é a energia lhe cresce. Consciente, como as do fundo da sabedoria, de que 'além de nós um outro/ surge em cada esquina de luz desvirtuada', perguntará 'porque morre um poeta?'. Grita-lhe-ão, em resposta, que por algo que se desvendou, mas que ninguém conhece, para sempre sepultado no entendimento do silêncio, uma vez o limite ultrapassado de a si próprio explicar". Mário Cláudio



Espelhos



Como num espelho da imagem
retrocesso. Imagem não do tempo
mas no tempo. O outro lado
o seu reverso apenas o avesso.
No polido do aço o fio do aço
a imagem polida e frio o espelho.



De Ariana o fio


Ser de Ariana o fio e em labirintos
de mistério esquecer como Teseu
vencido o Minotauro da razão.


Ser de Dionísio aquele amor sereno
por Ariana só e desprezada.
De Teseu a vitória sem traição.


De outros mitos construir a glória
e apenas nas distâncias da memória
ser o fio de Ariana e a paixão.





Fala de Mulei Moluc



Senhor de outros reinos que não deste
teus sonhos nas areias apodrece.
Estás morto. Perdido o império incerto.

Senhor destes reinos vencedor
a vitória me dói e queima. E o deserto.
O esquecimento de mim só não virá
por memória de ti que és encoberto.




Lamento de hoje



Este estar vivo assim é que me mata:
não mais por mar além ou terra fora
naufragado na Costa não da Mina
mas desta pátria triste que só chora
e não descobre outro destino ou sina
terras de Prestes João ou Rio da Prata.





Quinto Império



Por onde nas florestas desbravadas
ou em oceanos índicos pacíficos
sulcados de remotas aventuras
e de sonhos é que perdido andei?


Corpo - espaço de sonho recoberto
por índias e brasís me dispersei.
Novos mundos ao mundo foram dados.
E agora aonde irei?


Com palavras farei um outro império
maior e mais constante
que o amor na palavra nos congraça.
Por elas nos cumprimos nas praias
do Restelo ou de Mombaça.




segunda-feira, 7 de abril de 2008


Fiz em 1978 a capa e as ilustrações do livro de cozinha escrito pela minha mãe Fernanda Matos e Silva.



Para a editorial escritor fiz diversas pinturas para capas de livros.

domingo, 6 de abril de 2008

No ano de 1998 participei com três pinturas numa exposição colectiva, na galeria Óptica do Conde de Redondo, intitulada "Real(idade) de uma convicção". Dois oleos s/ tela denominados "Futuro I" e "Futuro II" retratam os filhos mais velhos do Duque de Bragança.

O terceiro chama-se " Inês de Portugal". Neste, Inês aguarda ansiosa a chegado do seu amado. Na mão direita uma rosa vermelha que simboliza não só o fogo da sua paixão e o eterno amor que os unia, mas também o seu sangue derramado.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Cântico Suspenso

Dez anos depois de "Intemporal" - em 1986 - publiquei nas edições Silex um novo livro de poemas. Tinha o título de outro, do grande poeta José Régio, mas não tinha como não o ter. O mistério do cântico poético estava suspenso de uma visão diferente do mistério do caminho da vida que ia percorrendo e era uma manifestação de coragem "mostrar o que se achou no caminho - e nunca é fácil, nem alegre, nem irresponsável revelar o que se encontrou ou sonhou nas galerias da alma..."( Eugénio de Andrade - Poética).


Inscrição

Mortais é o que somos.
E deuses já não fomos?


"Uma descoberta este Cântico Suspenso! Pois 'eram dunas o deserto do teu peito:nelas de amor imprimi os meus dedos'. Ainda 'No meu corpo o teu corpo em vão procuro/ como em mim não encontro/outra nascente' Uma poesia calma, resguardada, simples, sem palavras últimas. Palavras que se vestem ao nosso olhar". Cecília Barreira

Mitos

Lagos

Dali partiu Sebastião. Lagos
serenos de infinito em seu olhar
partiram. E sonhos não sonhados.
Ali do norte ventos aportados
dormem no areal: esperando o mar.
E partem algum dia. Mas viver
é ir morrendo assim mas devagar.


Rituais

Nocturnos

1.

Vespertina ternura
a dos amantes
que na manhã renascem
separados
nos olhos nas palavras
nos desejos
aos versos do poeta
apenas confinados.

2.

Eram do poeta os versos
surpreendidos
pelo sorriso na manhã
nascente
no mistério do verbo
desvendado.

Apócrifas apenas
as palavras
que dizem do silêncio
resguardado.

"Este seu belíssimo, belíssimo, Cântico Suspenso é desses livros que chegam, e bem poucos são eles, para se demorarem em nossas mãos. Creio pois que não poderá reivindicá~lo só para si, tão de encontro se faz de um poeta com a imagem reflectida de todos nós". Mário Cláudio

Celebrações

Caminhos

Tormentosos caminhos penso
e vou.
Nos desvios se me perco
retrocedo:
assim partindo sempre
nunca chego.
Fico mas não estou.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Intemporal


O 25 de Abril de 1974 proporcionara-me inesperadas experiências, de que as políticas, sendo as mais manifestas para quem vivera trinta e dois anos em ditadura, foram as as mais indeléveis. Mas também na abertura de novos horizontes na cultura, na forma de estar, na forma de ver a vida e a sociedade - que curtas estadas na Europa já tinham antecipado. Dessa experiência pessoal surgiu o terceiro livro de poemas que sendo datados, eram simultaneamente intemporais. Foi em 1976, em edição de autor, com capa de Luís Silva Moreira. Mereceu do poeta e crítico literário da revista "A Vida Mundial", Dórdio Guimarães, dirigida pela saudosa e grande poetisa Natália Correia, estas palavras: " Uma doce desilusão é este livro de versos de João Mattos e Silva. Desilusão que apetece dizer 'intemporal', exactamente o título do volume. Há uma delicadeza interrogativa na sua poesia que me toca particularmente. Uma subtil fragrância que chega ao nervo, acaricia o músculo e segreda que tudo vai ser pó e cinza depois do certo e incerto beijo. Têm dedos as palavras poéticas de João Mattos e Silva. Dedos que digitam a nossa memória e nos dizem sossegada e solenemente "nunca mais". Esse nunca mais de veludo que têm as coisas desiludidas que já se viveram... Intemporal é um livro saborável, dolente como uma fumaça de cachimbo, pairante... tem a impressão da sensibilidade imorredoira que torna o poeta 'uma coisa' verdadeiramente intemporal"


Pórtico

Ser livre
é não reter nas mãos
o vento
é ser verdade e sal
e ser fermento.


3

Pacíficos paramos a distância
que vai da paz á guerra.

...Somos a toga e arca da aliança
mas usamos adaga
e silenciamos
a lei que encerra.

Pacíficos apressamos nossos passos
e ungimos nossos corpos para a guerra.


As Palavras

I

Construir a palavra
letra a letra;
o poema verso a verso
feito.
Delimitar a sombra
do teu corpo;
medir a beijos o teu peito.

Circundar o teu rosto
riso a riso;
descrever passo a passo
o teu caminho.
O verbo de prolixo
ser conciso;
vermelho não ser vinho.

Alargar o limite
a traços tracejado;
destruir o segredo
sangue a sangue guardado.


Ser feliz sonho a sonho
acrescentado.



Sombras

1

É muito cedo ainda
para ter haver
no fogo que não arde.

É muito cedo ainda
(sendo tarde)
no tempo em que não estou.

Pilatos lavo-me as mãos
do inocente que não sou.


terça-feira, 1 de abril de 2008

Em Fevereiro de 1996 participei na Exposição colectiva dos professores da EB 2.3. Nuno Gonçalves.

Em Setembro/ Outubro de1997 expus na Galeria Optica do Conde de Redondo "Estados de Ser"

domingo, 30 de março de 2008

Emília Matos e Silva

Em 1973 participei no XVIII Salão de Primavera da Junta de Turismo da Costa do Sol.

Participei na exposição colectiva A Árvore na SNBA em Março de 1979




Em 1987 participei na exposição do Ginásio Atlético Clube, na Baixa da Banheira.

Em Dezembro de 1988 realizei a minha segunda exposição individual na galeria Espaço do Pintor.



Em Fevereiro de 1990 expus as minhas pinturas no Bar Botequim da poetisa Natália Correia.



Participei no Salão Convívio da SNBA nos anos de 1993 e 1998.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Expus pela 1ª vez em 1967, quatro pinturas, no Clube de Turismo do Atlântico .
Nesta exposição colectiva também participaram Jorge Henrique, Moniz Augusto, António Carmo, Fernanda Pissarro e Segismundo Peres-Ramires .

Em Outubro de 1975 realizei a minha primeira exposição individual na Sociedade Nacional de Belas Artes.





quinta-feira, 27 de março de 2008

Emília Matos e Silva


Nasceu em Lisboa em 1947.

Começou a estudar desenho com o pintor e ilustrador Álvaro Duarte de Almeida no ano lectivo de 1965/66.

Entrou para a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa no ano de 1966/67.

No ano lectivo de 1969/70 estuda desenho de modelo no "Atelier de La Grande Chaumiére" e gravura na "Academie Goetz", em Paris.

Termina em Julho de 1973 o Curso Complementar de Pintura, da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.

Faz o Curso "Les Techniques de la Gravure Moderne", sob a orientação de S.W.Hayter, no Atelier 17, em Paris, como bolseira da Direcção Geral dos Assuntos Culturais, no ano de 1973/74.

terça-feira, 25 de março de 2008

João Mattos e Silva poeta e escritor, é europeísta, monárquico e de centro-direita. É uma pessoa de grande cultura, sensibilidade e capacidade de comunicação sendo também possuidor de uma personalidade carismática. Tem como passatempos preferidos a leitura de temas históricos, ensaios, poesia e ficção literária, teatro e música erudita no geral e em especial a barroca.



Em Outubro de 1972 publicou o seu segundo livro de poesia, TEMPO DE MAR AUSENTE. No prefácio, Henrique Barrilaro Ruas, diz “ E acabaria esta breve análise destacando a riqueza lírica e épica da sua Poesia.”


Luares de sol em cada ausência tua.

Desfez-se em sol a sombra,
o vento agreste.
A angústia abandonou-me
e ia nua;
lírio do campo vestido de cipreste.

Brota água da fonte anoitecida.

Nasce para a luz a sombra de uma vida
e arco-íris de esperança
mais além.
Em cada acácia-rubra
em sol poente
A luz-da-madrugada se detém
.

segunda-feira, 24 de março de 2008

João Mattos e Silva - Sem Contorno

Momento II

E então eu chorei!
Porquê?
Porque o sol ia morrendo
A pouco e pouco, e vi
Um raio verde que dizia – felicidade!
E então eu chorei.
Porquê? Não sei.



O Louco

Olhos nos céus,
Riso apagado, cansado e indiferente,
Tinha na boca escancarada
Uma oração esquecida.
Mas não rezava, o pobre louco,
Porque não era crente,
Já não amava a vida!

domingo, 23 de março de 2008

João Mattos e Silva

João Fernando de Mattos e Silva de Almeida, poeta e publicista, nasceu em Lisboa em 11/9/1944.
O seu primeiro livro de poesia, Sem Contorno, foi publicado em Novembro de 1968, pelas Edições Excelsior.

Momento XV


Revejo-me num espelho sem contorno,
Sem nada.
O mar silencioso dá-me sempre igual
Uma alma inacabada.



Credo

Se és Senhor, Aquele a quem procuro,
se és o lírio branco,
se és a cruz da altura,
Senhor eu creio!
Se és, Irmão, aquela luz brilhante
que me guia e que perco
quando a estrada se abre
em caminho sem fim,
em ti, Senhor, eu creio!
Se és, Pai, aquele pomar viçoso
onde busco coragem
no doce sumo dum fruto
fresco e suave
em Ti, eu creio!
Se és a imensidade sem contorno,
se és o vácuo com luz,
se és a quem procuro,
se és verdade,
é em ti Senhor do abstracto,
é em ti que eu creio!

quarta-feira, 19 de março de 2008

Aguarelas de Rui




Aguarelas da colecção de Maria Manuel Chaves de Almeida

terça-feira, 18 de março de 2008

Rui David de Matos e Silva



Rua e casas de Pedrogão Pequeno


Rui David de Matos e Silva, pintor, n. em Lisboa em 13/7/1918 e m. em 25/5/1987. Pertence à terceira geração da família Mattos e Silva, sendo filho de Ema de Mattos e Silva e de seu marido e primo direito Francisco David e Silva. Foi um excelente aguarelista, também como sua tia Fernanda, aluno de Raquel Roque Gameiro.

quinta-feira, 13 de março de 2008


Dois livrinhos de histórias infantis de Fernanda Matos e Silva, publicados pelas Edições Excelsior.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Fernanda Matos e Silva


desenho de modelo executado no atelier de Raquel Roque Gameiro

sábado, 8 de março de 2008

Sol-Posto


Luz suave! Sol-posto!

Tardes quentes de Agosto,
cantam grilos no relvado.
Pelas ruelas da aldeia
tilintam até dá gosto
as campainhas do gado!

Na linha do horizonte,
na penumbra, esmaecida,
há nuvens ensanguentadas.
E lá longe, entre pinhais,
alveja, por sobre um monte,
o tom claro de uma ermida.

Hora do entardecer, hora querida,
em que soam, espaçadas,
as dolentes badaladas
d'Avé Marias!
Hora a que sinto saudades
dessas mentiras tão doces
que junto de mim dizias!


Fernanda Mattos e Silva, Pedrogão Pequeno, 1926
Aguarela de Ema Mattos e Silva, largo de Pedrogão Pequeno

Disse-me a Mãe que, quando era bebé, adorava ouvir música, à qual ficava muito atento em silêncio e adormecia tranquilamente ao som do rádio, acordando imediatamente se a música se calava. Nunca consegui perceber o fascínio que determinadas músicas e determinadas vozes dos anos quarenta exerciam sobre mim. Quando tive idade para começar a gostar de música - e refiro-me à música ligeira - o género era já muito diferente. E intuí que aquele tipo de música ficara gravado nos meus sonos dos primeiros tempos de vida, como uma extensão musical da própria ternura da Mãe.


Frank Sinatra, "Embraceable you" George e Ira Gershwin,1938

quinta-feira, 6 de março de 2008


desenho de modelo de Fernanda Matos e Silva

segunda-feira, 3 de março de 2008

Memórias




Texto inédito de Fernanda Matos e Silva

Mudáramos para a Av. Da Republica, defronte do Colégio Inglês, em que as minhas duas irmãs e o meu irmão se educaram.
Aí nos conservamos cinco anos, findos os quais, por serem necessários mais dois quartos, pois meu irmão crescera e era já um homenzinho e minha avó materna enviuvara, tendo ido viver connosco, mudamos para a Praça Duque de Saldanha nº 1,( no prédio do anjo), no 1º andar direito.
Foi aí que comecei a frequentar um colégio que havia perto, onde aprendi, desde as primeiras letras até à 3ª classe de hoje, 1º grau desse tempo.
Tinham-se passado dois anos e meio quando deixamos essa casa, indo morar na Av. da Liberdade 122. Mudança de escola e de professores, nova adaptação a outro ambiente e comecei a frequentar a Escola Luso- Franco- Belga, numa rua que terminava num beco sem saída e que é hoje a R. Rodrigues Sampaio a Stª Marta.
Uma série de contratempos, doenças minhas e tinha dez anos sem ter feito exame algum, embora estivesse habilitada para isso. Mas ali naquela casa minha mãe não achava o ambiente próprio aos seus anseios de artista que não podia acostumar-se a viver dentro duma casa vulgar da cidade, nem queria afastar-se contudo dela, habituada desde o berço às comodidades e bulício de Lisboa.
Eis que surge a oportunidade sonhada e que viria reunir os seus desejos: a paz e o sossego da aldeia, a dois passos da Baixa.
Uma professora indicou a meus pais uma quinta que estava em venda, ficando ainda dentro da periferia da cidade pois era perto do Areeiro e tinha a caracteriza-la reunir em si todas as atracções do campo juntamente com a comodidade de uma casa citadina a que não faltava gás, salamandras para aquecimento no Inverno, uma vista maravilhosa sobre parte da cidade e o esmero com que fora delineada e estava tratada.
O entusiasmo foi tal, após a primeira visita que a minha mãe não descansou mais até que o meu pai satisfazendo-lhe a vontade, que era igualmente a dele pois fora o seu sonho dourado, a comprou.
Nova mudança, mas desta vez só ao fim de 31 anos e com fundo desgosto deixei essa casa, essa querida casa que foi o paraíso da minha adolescência, fonte inesgotável de alegrias sãs, boa saúde física e mental que desde o primeiro dia nela desfrutei.
Para uma criança criada na cidade, embora saindo todas as férias para o campo ou para a praia, aquela quinta foi a felicidade. Tinha a parte rústica representada pelas hortas vicejantes e sempre fartas, o pomar sendo além disso semeada de árvores de fruto por todos os recantos e de todas as variedades, com campos de semeadura, searas (coisa que até aí nunca vira de perto)
Capoeiras bem providas, cortiços com abelhas, um estábulo com 10 vacas, vinha e latadas encimando as ruas e jardins, nem menos de cinco grandes jardins a abarrotar com flores, adornadas com muros de buxo, de tanques a emprestar frescura e graça a todos eles.
Qualidades de árvores de sombra raras: um cacto gigante circular, uma árvore-da-borracha, tamareiras com verdadeiras tâmaras, eucaliptos, pinheiros bravos e mansos, acácias de floração branca, roxa e rosa, olaias e tramangueiras empenachadas de lilás e rosa, oliveiras, que sei eu, de tudo bastante e bem distribuído de forma a encher de sombra aprazível as ruas e bancos de azulejos antigos, porque bem antiga era essa quinta que no portão principal deitando para um pequeno largo na azinhaga do Areeiro, esquina da Calçada da Ladeira, tinha lindo painel de azulejos figurando dois pavões de caudas em leque abertas e policromas e a data de 1726.
Aí vivi e cresci, aí senti pela primeira vez com o contacto diário com a natureza, o encantamento que ela empresta ao campo, no decorrer das estações do ano e as transformações constantes porque assistia deslumbrada, fizeram-me conceber o desejo de descrever o que via, tentando reproduzir em letras e frases o meu sentir.
Começaram os primeiros versos ( maus versos de péssima poetisa) e as primeiras ensaios literários.
Quanto a estudos ….
Há 32 anos Lisboa não era como é hoje. No Largo do Chile terminava a Avenida Almirante Reis e depois rumo ao Areeiro e à Quinta do Alperce, que este era o nome pitoresco da Quinta e que, juntamente com os terrenos e outra Quinta dos Alperces que ainda existe ou existiu no Caminho de Baixo da Penha, pertenceram a Pina Manique, só havia azinhagas entre muros e de leito pedregoso ou terra batida e a Rua do Areeiro, pouco mais larga e também toscamente empedrada, por onde passava o eléctrico.
Daí por diante e à volta da nossa, quintas de semeadura, mais quintas rústicas ( a do Padre – a do Manuel dos Passarinhos, etc.)
Como poderia seguir regularmente os estudos, frequentar um liceu (havia tão poucos para meninas e tão longe!) ter uma educação oficial? Os professores iam dar-me lições a peso de ouro indo o carro do meu pai busca-los e pô-los novamente em casa ou aonde mais lhes convinha.
Assim aprendi português com o professor José Portugal, autor do Método Prático de Português e um bom, proficiente e simpático professor que ainda hoje lembro com comovida saudade e grande veneração.
Como eu manifestasse desgosto por não tirar o curso do liceu e depois o curso superior de letras, ainda comecei a estudar (em casa) o 1º ano dos liceus, mas o estudo assim sozinha, sem o estimulo da competição nem a companhia de outras pequenas da minha idade, depressa me desanimou e aborreceu desistindo. Aprendi o português, francês, inglês, lavores, arte aplicada ( coisa hoje tão fora de moda e então em plena voga) piano e canto e só muito mais tarde desenho e pintura com D.Raquel Roque Gameiro de quem fui discípula.
Desde criança senti sempre atracção pelo estudo, avidez em saber e aprender, pelo prazer de aprender e saber, pois estudei sempre só e em casa.
Hoje ainda, gosto sempre de aprender coisas novas e aperfeiçoar o que aprendi.
É preciso dizer que devo a minha formação intelectual não só ao estudo e aos bons professores que tive, mas também ao ambiente culto e artístico em que nasci e me criei também, pois meus irmãos e eu beneficiamos com o contacto constante com meus pais, sobretudo a minha mãe, senhora de rara cultura e profundamente artista. Discípula dilecta de Gonçalves Viana e Ferreira-Deusdado, ensinou-nos a amar a nossa língua e a cultiva-la. Aluna de Luciano Freire, interessou-nos desde pequeninos pelas artes plásticas, levando-nos a museus e exposições, a monumentos e igrejas, para que conhecêssemos a pintura, a escultura e arquitectura, não só dos livros, mas de ver; aluna ainda de Vieira e condiscípula de Viana da Mota, no Conservatório, onde tirou o curso superior de piano com louvor e distinções em todos os anos; não só fez-nos ouvir boa música desde o berço, familiarizando-nos com os grandes génios musicais em inesquecíveis serões de arte, recordados ainda hoje por nós com saudade infinita; como nos levava a concertos a S. Carlos educando-nos o gosto e o ouvido.
Comecei a escrever pequenos contos infantis aos doze anos, para distrair 6 sobrinhos belicosos, muitas vezes entregues à minha guarda e que gostavam muito de ouvir historias.
Depois de esgotado o repertório dos que sabia e eram muitos: Grimm, Andersen, Ana de Castro Osório, até as Mil e Uma Noites, em rica edição profusamente ilustrada, eu tive que inventar histórias para os distrair. E como essas histórias tinham sucesso no meu público infantil, acrescido nesse tempo de mais dois ou três amiguinhos e ouvintes, passei a escreve-las e a guardá-las.
Ia escrevendo contos, descrições, narrativas históricas e de simples engenho meu e juntamente com as redacções exigidas pelo meu professor de português. Por indiscrição de uma das crianças o meu professor soube dos meus contos e quis lê-los e admirada, escutei pela primeira vez aplausos e incitamentos de uma pessoa crescida, o que me encheu de zelo e boa vontade de prosseguir. Já nesse tempo eu decidira ser escritora e planeava sonhos para o porvir.
Passaram-se contudo bastantes anos antes de publicar qualquer trabalho meu. Só muito mais tarde, em 1928 me decidi a escrever para o Século.
Li muito, leio sempre, com o mesmo interesse, o mesmo desejo de aprender, de saber; obras de todos os géneros e isso melhorou e poliu bastante o meu estilo corrigindo defeitos, tornando-o mais claro e mais simples.
De começo procurava as palavras bombásticas, empoladas, que deslumbravam e pareciam as mais belas e empregava os adjectivos com profusão, parecendo- me mais fácil assim, descrever o que via, ou o sentir psicológico dos meus personagens.
Depois, mercê do estudo e de bons conselhos, fui melhorando de forma procurando dar as frases maior simplicidade e mais justeza e hoje, sempre insatisfeita, continuo tentando atingir mais perfeição.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008